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A festa teve como lema: “Resistir às ameaças, cultivando vidas!” e foi realizada em preparação à Festa Estadual das Sementes da Paixão, que acontecerá em 2015. A programação teve início à partir das 7h, com a chegada das caravanas e a montagem da Feira dos Guardiões e Guardiãs, que expuseram e trocaram produtos e experiências da agricultura familiar agroecológica e dos 35 Bancos de Sementes Comunitários do território do Cariri, Curimataú e Seridó, região de atuação do Coletivo. Após a animação no palco e a acolhida às caravanas, o evento foi oficialmente aberto com uma mística, dois jovens recitaram um poema, de autoria do agricultor Antônio José Torres, do Sítio Cachoeirinha dos Torres, em Soledade-PB, que trouxe as ameaças aos projeto de convivência com o semiárido defendido pelas famílias camponesas, bem como as estratégias que as vem permitindo resistir. Os representantes dos 11 municípios que compõem a região, fizeram uma entrada com a bandeira de cada cidade e símbolos da sua cultura, além do seu município representado em uma parte do mapa da região, decorado com sementes e outros símbolos de resistência. Todas as partes foram compondo um mapa, que aos poucos foi ficando completo e ficou exposto no palco durante toda a programação da festa. “É uma alegria estarmos aqui, a gente de Cubati, pode dizer que está mudando o mapa do município, que antes era representado só pelo sisal e pelo algodão, culturas que hoje já não servem mais pra nos representar, diante da diversidade do que estamos plantando, colhendo e guardando. É essa diversidade que hoje garante a nossa sobrevivência e nossa convivência com o semiárido”, afirmou Maria das Dores Medeiros, do Sítio Capoeiras, Cubati-PB. Em seguida, uma peça de teatro encenada pelo Grupo de Trabalho (GT) de Jovens do Coletivo, apresentou de forma lúdica e descontraída, as armadilhas em que muitos jovens são levados a cair, abandonando a agricultura para ir para a cidade grande ou a proposta sedutora do lucro fácil por meio da monocultura especializada.
Após esse momento, o engenheiro agrônomo e professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IFPB), Campus Sousa-PB, Chico Nogueira fez uma exposição dialogada sobre o significado de um evento como a Festa e a importância do trabalho de conservação e resgate de sementes e raças nativas, adaptadas à região semiárida: “Esse é um momento de reconexão com a natureza. Durante muito tempo, negamos a inteligência da natureza. Nós somos sujeitos da natureza e com as Sementes da Paixão estamos resgatando esse vínculo com ela e com toda essa sabedoria. Inteligente é quem cultiva vida e não alimenta a agricultura da morte”, afirmou.
Após o almoço, o período da tarde foi iniciado com as trocas na feira e o repasse simbólico de matrizes de caprinos para o Fundo Rotativo Solidário do Coletivo, que teve o apoio da entidade de cooperação Heiffer. O FRS do Coletivo já beneficiou famílias com mais de 600 animais em 12 comunidades de cinco municípios do território. Foi um momento de reafirmação dos animais como sementes fundamentais para a sobrevivência da agricultura no território. Foram repassados 15 animais, todos de raças adaptadas, para três famílias das comunidades de Malhada Vermelha e São Félix, de Santo André. José Moreira dos Santos, conhecido como ‘Zé de Conceição’, de Santo André, deu o seu depoimento sobre o impacto do FRS em sua vida: “Pra mim foi muito gratificante, a minha foi uma das primeiras famílias beneficiadas. Recebemos 6 matrizes e conseguimos reproduzir para 26 cabeças. Eu sempre digo as pessoas para cuidarem com carinho dos animais para no momento de repassar, a próxima família possa ter um animal nas mesmas condições que vocês receberam”, afirmou o agricultor, coordenador do FRS de animais da sua comunidade. Campanha contra os agrotóxicos – Em seguida foi lançada a “Campanha contra os Agrotóxicos”, promovida pelo Patac em parceria com o Coletivo, no âmbito das ações do Projeto “Vida no Semiárido”, que tem o apoio de MISEREOR e o patrocínio da Petrobras. Na ocasião, as agricultoras Luciana Pereira da Silva e Quitéria dos Santos Cunha, ambas de Cubati, deram o seu testemunho sobre a experiência que tiveram com o uso de agrotóxicos, trabalhando em plantações de tomate. As duas mulheres relataram problemas graves de saúde e prejuízos financeiros, antes de optarem por uma agricultura limpa e saudável, livre de veneno. “Os agrotóxicos mentem ao dizer que vão acabar com as pragas. Os pesquisadores e quem usa os produtos sabem que, com o passar do tempo, os insetos se tornam resistentes e a pessoa vai ter que mudar para um veneno cada vez mais forte, porque aquele já não faz mais efeito. Essa mentira tem levado à contaminação do meio ambiente, ao adoecimento das pessoas e só enriquece a indústria de remédios e do veneno”, afirmou Antônio Carlos Pires de Melo, assessor técnico do Patac e um dos responsáveis pela campanha. Após o lançamento da campanha, Chico Nogueira fez uma breve exposição sobre os transgênicos, ligada intimamente à indústria dos agrotóxicos: “O milho transgênico, por exemplo, é produzido em laboratório, já com o veneno dentro dele, com a promessa de afastar as pragas. Na prática, as pragas se tornaram resistentes e o uso dos transgênicos acaba vindo associado ao uso intensivo de veneno”, explicou. Foram então feitos testes de transgenia com amostras de milho trazidas pelos agricultores. Para tanto foi usado o chamado teste da fita, que em poucos minutos acusa a presença ou não de proteínas transgênicas no material avaliado.
A festa é uma realização do Coletivo Regional das Organizações da Agricultura Familiar e do Programa de Aplicação de Tecnologia Apropriada às Comunidades (Patac) em parceria com a ASA Paraíba, a ASA Brasil, o Centro de Ação Cultural (Centrac) e com o apoio financeiro da entidade de cooperação alemã MISEREOR e o patrocínio da Petrobras. Fonte: http://www.asabrasil.org.br/Portal/Informacoes.asp?COD_NOTICIA=8756 |
IV Festa Regional das Sementes da Paixão em Santo André-PB
Notícias do Semiárido Nordestino,Seridó da Paraíba e Rio Grande do Norte.




