Mostrando postagens com marcador agricultura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador agricultura. Mostrar todas as postagens

Mulheres e agroecologia, a luta é todo dia.

Ligória Felipe dos Santos é agricultora no semiárido brasileiro. Nasceu e se fez mulher numa comunidade rural, no município de Esperança, na Paraíba. Nasceu numa família de 7 irmãos e desde muito cedo conheceu o peso da divisão sexual do trabalho, tornando-se responsável por todos os cuidados da casa e dos irmãos; muito nova aprendeu sobre a injustiça do latifúndio quando sua família foi expulsa das terras onde morava e trabalhava para tentar a vida na cidade. Para se livrar do sofrimento, casou-se cedo, aos 19 anos. Muito nova, também aprendeu sobre violência doméstica. Separou-se e casou-se novamente, mas ainda não foi dessa fez que conheceu a felicidade. Seu segundo marido é alcoólatra e igualmente violento. E é por meio de seu trabalho na agricultura, que vem criando seus dois filhos e sua neta.
Foi justamente movida pelo amor aos filhos, que Ligória nunca desistiu frente às dificuldades que a vida impôs. Se ficava difícil, se erguia, mesmo que calada, e retomava o ritmo predestinado do árduo caminho que a vida lhe conduzia. As crianças já estavam crescidas quando conheceu o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de seu município, e com ele o Polo da Borborema, uma articulação de sindicatos e organizações da agricultura familiar de 14 municípios da Borborema, no estado da Paraíba. O contato com a dinâmica social promovida pelo Sindicato e pelo Polo permitiu a Ligória conhecer e trocar experiências. Começou a participar de visitas de intercâmbios e a quebra de seu isolamento possibilitou com que ela se encontrasse e se reconhecesse na experiência de outras mulheres agricultoras, viabilizando uma paulatina ruptura das barreiras culturais que a prendiam na cozinha de casa.
A partir dos intercâmbios, Ligória passou a olhar diferente para seu quintal. O que antes era invisível, insignificante e sem valor, para ela e para toda sua família, passou a ser reordenado, experimentado, e conseguiu adquirir novos bens – como cisternas de placas para armazenamento de água da chuva para beber, telas de arame ou animais – via políticas públicas ou, principalmente, pela capacidade adquirida pelas mulheres do território de se auto-organizar por meio de Fundos Rotativos Solidários – um sistema econômico comunitário e solidário.
O quintal de Ligória foi se tornando um subsistema importante para dentro do estabelecimento familiar por sua capacidade de gerar riquezas, segurança e soberania alimentar e bem-estar para a família. Ligória passou a participar da feira agroecológica. Na medida que reassumiu o domínio do quintal, foi conseguindo tomar iniciativas na produção de alimentos e na economia com êxito, foi conquistando mais poder nas esferas pública e privada.
Se por um lado, a participação dos intercâmbios e a agroecologia foram fortalecendo sua capacidade produtiva, por outro, sua participação na Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia a fez se fortalecer como mulher. Há 8 anos, o Polo da Borborema, assessorado pela AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia, vem realizando uma Marcha de mulheres camponesas para denunciar e romper com o patriarcalismo e o machismo. As Marchas são momentos de denúncia e de grande visibilidade pública das diversas formas de violência sofridas pelas mulheres e das desigualdades de gênero.
A primeira edição da Marcha aconteceu no ano de 2010, no município de Remígio (PB), com a participação de 700 mulheres. Nos anos seguintes, o que se observou foi a adesão de um crescente número de mulheres. Em 2016, a sétima edição levou às ruas de Areial (PB) mais de 5 mil mulheres camponesas, mostrando ser um movimento positivo de retroalimentação entre os processos de experimentação e politização do trabalho.
Cada edição da Marcha é precedida por um intenso processo de sensibilização e formação das mulheres, mas também dos homens do movimento. São realizados encontros de mulheres nos 14 municípios que fazem parte do Polo da Borborema e, a cada ano, é trabalhada uma metodologia voltada a desnaturalizar as amarras culturais que determinam as diferenças sociais entre os sexos. Há ainda o estímulo para que novos encontros e conversas aconteçam em seus grupos de fundos rotativos, de beneficiamento, na associação comunitária ou mesmo entre vizinhas.
Com certeza, a trajetória de superação de Ligória não é única no território da Borborema. Ela se repete em milhares de famílias. Mas, como sabiamente costumam analisar as lideranças do Polo, não há tempo para se baixar as bandeiras, a luta é todo dia. O ambiente de diálogo criado no território permitiu que os tensionamentos – no interior das famílias, mas também nos espaços públicos – sejam constantemente enfrentados. Nessa lógica de superação de conflitos, as relações e a cultura vão pouco a pouco assumindo contornos mais justos e solidários. Ainda longe de ser o ideal, Ligória bem sabe disso. Mas o mais importante é que ela e o movimento dessas agricultoras estão conseguindo marcar um lugar na luta pela vida das mulheres e pela Agroecologia.

Fonte:http://www.asabrasil.org.br/noticias?artigo_id=10097

1 Congresso de Agroecologia do Semiárido 2015

ordenação: Dr Nildo da Silva Dias


- EIXOS TEMÁTICOS

 RELATOS DE EXPERIÊNCIAS

 MANEJO DE AGROSSISTEMAS SUSTENTÁVES/ PRODUÇÃO VEGETAL

 MANEJO DE AGROSSISTEMAS SUSTENTÁVES/ PRODUÇÃO ANIMAL

 MANEJO DE AGROSSISTEMAS SUSTENTÁVES/ MANEJO DE SOLO E AGUA

 MANEJO DE AGROSSISTEMAS SUSTENTÁVES/ TRANSIÇÃO AGROCOLÓGICA

 DESENVOLVIMENTO RURAL/ECONOMIA RURAL, SOCIOECONOMIA E POLÍTICAS PÚBLICAS

 DESENVOLVIMENTO RURAL/SOCIOLOGIA, ANTROPOLOGIA, MED SOCIOTECNICAS E CONFIG SOCIOCULTURAIS

 DESENVOLVIMENTO RURAL/DINÂMICAS SOCIOAMBIENTAIS E CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO AGROECOLÓGICO

 DESENVOLVIMENTO RURAL/EDUCAÇÃO

 DESENVOLVIMENTO RURAL/SAÚDE E SOBERANIA ALIMENTAR

 AMBIENTE E ECOSSISTEMAS NATURAIS



Normas para envio de artigos

Data limite para envio dos artigos: 01 de JUNHO de 2015;

É permitido ao Congressista efetuar sua inscrição antecipadamente e depois enviar o artigo, observando-se a data limite de submissão do mesmo;

O Artigo Completo, salvo EXCLUSIVAMENTE no Formato WORD (.doc) e nomeado com o nome do(s) autor(es) inscrito(s);

O trabalho deve ser submetido no formato de ARTIGO CIENTÍFICO, contendo: abstract, resumo, palavras-chaves, desenvolvimento do texto (incluindo a introdução, metodologia, resultados e discussão, conclusão ou considerações finais) e referências bibliográficas;

A relação dos TRABALHOS APROVADOS será PUBLICADA e ATUALIZADA semanalmente no site do Congresso, conforme a disponibilidade da Comissão Científica;

Os artigos aprovados serão publicados virtualmente na qualidade de capítulo de livro (com ISBN), e veiculados ao site até 90 dias úteis após o encerramento do Evento.

Autores:

Cada PARTICIPANTE INSCRITO tem direito de enviar e apresentar 01 (um) artigo;

É permitida a ASSINATURA de 01 (um) autor + 03 (três) coautores para cada trabalho inscrito (estando incluso o Orientador);

O participante AUTOR de um artigo inscrito poderá assinar coautoria em no máximo outros 2 (dois) artigos. Deixamos ciente que durante o Evento o Congressista NÃO PODERÁ REALIZAR A APRESENTAÇÃO NEM RECLAMAR O CERTIFICADO DE APRESENTAÇÃO dos artigos nos quais aparece como coautor;

Os artigos inscritos por Estudantes de Ensino Básico, Técnico ou Graduação devem conter o nome do Orientador.
Estrutura do Artigo:

O Artigo deve conter o máximo de 12 páginas, sendo redigido em português, com letra Times New Roman, tamanho 12, espaçamento 1,5 entre linhas, margem de página de 2 cm em todos os lados, justificado e sem dividir palavras no final da linha. Nomes científicos e palavras estrangeiras grafadas em itálico;

O Título do artigo deve conter a ideia precisa do conteúdo e ser o mais curto possível, escrito em letras maiúsculas (tamanho 12), CENTRALIZADO;

A identificação (nome) dos Autores deve aparecer na ordem correta de autoria, com o sobrenome em MAIÚSCULO, seguido da titulação, do nome da instituição a qual faz parte e do e-mail. O texto deve estar alinhado à direita;

Referências: devem ser digitadas em espaço 1,5 cm e separadas entre si pelo mesmo espaço (1,5 cm). Precisam ser apresentadas em ordem alfabética de autores, Justificar (Ctrl + J) - NBR 6023 de agosto/2002 da ABNT. UM PERCENTUAL DE 60% DO TOTAL DAS REFERÊNCIAS DEVERÁ SER ORIUNDO DE PERIÓDICOS CIENTÍFICOS INDEXADOS COM DATA DE PUBLICAÇÃO INFERIOR A 10 ANOS.
INÍCIO
O CONGRESSO
PROGRAMAÇÃO
INSCRIÇÕES
SUBMISSÕES
CONTATOS
I Congresso de Agroecologia do Semiárido

Guardiões das Sementes da Paixão discutem como enfrentar a ameaça dos Transgênicos

Guardiões reafirmam compromisso de cuidar das sementes e fortalecer bancos familiares e comunitários
Grãos da Conab são vistos como entrada dos transgênicos na região
Cerseminário transgênicosca de 80 agricultores guardiões e guardiãs das “Sementes da Paixão”, vindos de várias regiões da Paraíba, representantes da Rede de Sementes da Articulação do Semiárido Paraibano (ASA Paraíba) e da Comissão de Jovens do Polo da Borborema, estiveram reunidos no Seminário “Os transgênicos e as ameaças às sementes da paixão”, realizado nestes dias 30 e 31 de outubro, em Lagoa Seca-PB. As “Sementes da Paixão” são como ficaram conhecidas na Paraíba as sementes crioulas, cultivadas e conservadas pelos agricultores e agricultoras há muitos anos, patrimônio genético das famílias camponesas.
O Seminário teve início com uma mística em que as pessoas compuseram um altar com as sementes que trouxeram de suas regiões ou dinâmicas territoriais da ASA Paraíba. Na ocasião, como parte da mística, foi lida a passagem bíblica em que se fala em separar o “joio do trigo”.
seminário trasgênicosRejane Alves, assessora pedagógica da ASA e integrante da Rede de Sementes, abriu evento fazendo menção à passagem bíblica: “Nela a gente viu que existe a semente boa e existe a semente do mal. Nos nossos dias de hoje, quem é essa semente do mal? Sabemos que são os transgênicos e os agrotóxicos. É preciso tomar cuidado para que esse ‘joio’ não estrague o nosso ‘trigo’, e temos que juntos discutir o que a gente pode fazer para não contaminar a nossa semente”, disse.
Em seguida, Emanoel Dias, assessor técnico da AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia, falou sobre o panorama das políticas públicas de sementes na atualidade. Ele afirmou que as ameaças são muito fortes, porém lembrou das inúmeras conquistas alcançadas no estado, que são combustível e afirmação de nossa luta pelo livre acesso às sementes da paixão pelas famílias agricultoras no semiárido: “Uma dessas conquistas é a aprovação da Lei Estadual que reconheça a Rede de Bancos de Sementes Comunitários, que por sua vez está ligada à Lei Federal de Sementes e Mudas. Esse foi um passo significativo, pois reconhece as sementes crioulas, e permite aos agricultores multiplicarem, trocarem, venderem suas sementes. Possibilita ainda que programas governamentais comprem sementes crioulas e as distribuam para as famílias agricultoras e isenta as sementes crioulas de registro junto ao Ministério da Agricultura. Isso só aconteceu porque um grupo de organizações se mobilizou para exigir estas mudanças. Tivemos ainda a conquista do PAA (Programa de Aquisição de Alimentos) Sementes, que começou como experiência para todo Brasil a partir da experiência da Paraíba em 2003 e depois foi se constituindo num ferramenta importante para garantia de compra e distribuição de sementes crioulas para vários BSC em vários recantos desse pais, essa é uma conquista a partir de uma luta pelo acesso livre às sementes”, frisou.
seminário transgênicosEmanoel lembrou das parcerias com instituições de pesquisa, a exemplo da Embrapa Tabuleiros Costeiros, que durante 03 anos realizou várias experiências de construção de pesquisas participativas com as famílias agricultoras das regiões da Borborema e do Cariri da Paraíba, iniciativas que, segundo ele, comprovam o potencial das sementes da paixão quando comparadas com outras variedades melhoradas e usadas nos programas públicos de distribuição de sementes no semiárido. Essa trajetória vem ganhando força e espaço na conjuntura da Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Pnapo), com várias iniciativas especificas para promoção do trabalho com as sementes crioulas.
SAMSUNG CAMERA PICTURESGabriel Fernandes, assessor técnico da AS-PTA e coordenador da subcomissão de sementes da Comissão Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Cnapo), também falou sobre o contexto da atual conjuntura da política de sementes. Ele afirmou que antes da Pnapo os órgãos e ministérios realizavam ações de forma isolada e que, a partir do diálogo do governo com a sociedade, o governo entendeu que estas ações deveriam estar articuladas. Outros pontos levantados pelo técnico foram a regulamentação para o acesso pelos agricultores aos bancos de germoplasma das instituições públicas de pesquisa e a crítica que as organizações como a ASA têm ao excesso de burocracia das políticas: “A gente percebe que as experiências têm força de influenciar a política, mas os governos ainda optam por uma execução burocratizada, o que pode resultar numa boa política, mas que funciona para poucos”, afirmou. Após esse momento foi aberta uma rodada de debate acerca da questão: diante da realidade, quais são os caminhos e as estratégias que podemos propor para fortalecer o trabalho com as sementes crioulas?
seminário transgênicosTransgênicos - A parte da tarde foi dedicada a aprofundar o tema dos transgênicos, que são cruzamentos artificiais entre espécies diferentes a partir da combinação de genes de plantas, vírus e bactérias, por exemplo. Gabriel explicou que, por serem as responsáveis por esse tipo de cruzamento que não ocorreria na natureza, as empresas se dizem donas das sementes e as patenteiam. O agricultor que as compra fica, portanto, proibido de replantá-las, perdendo a sua autonomia. Outro motivo de preocupação levantado foi a diferença entre o resultado prometido pelas empresas e o resultado que se consegue observar na prática. Testes com amostras de soja e de milho que estão no mercado mostraram que o gene produzido não corresponde ao esperado, o que segundo Gabriel, por si só deveria levantar suspeitas e preocupações em relação à segurança dessas plantas para a saúde e o ambiente.
Atualmente o Brasil tem liberados 19 tipos de Milho, cinco tipos de soja, 12 tipos de algodão, um tipo de feijão, 15 de vacinas, dois tipos de leveduras e um tipo de mosquito da Dengue transgênicos. “A propaganda dos organismos geneticamente modificados dissemina a ideia de que, usando os transgênicos, teríamos plantas mais resistentes e usaríamos cada vez menos agrotóxicos, no entanto, olhando os dados das próprias empresas de agroquímicos, o que a gente observa é que o consumo de agrotóxicos no país explodiu após a liberação dos transgênicos”, afirma Gabriel. Outro fato preocupante é que as empresas que produzem os transgênicos são as mesmas que produzem os agrotóxicos. Sua tecnologia faz com que a semente transgênica seja feita para uso casado com o veneno, de forma que a empresa lucra duas vezes. O resultado observado é a reação da natureza: plantas invasoras mais fortes, que demandam uma quantidade cada vez maior de veneno, ou um veneno cada vez mais forte.
seminário transgênicosApós a exposição, os participantes do seminário debateram em grupos estratégias para enfrentar o avanço dos transgênicos. O agricultor Jacinto Guimarães, morador da Comunidade São Tomé II, no município de Alagoa Nova, fez uma provocação aos agricultores presentes: “A gente planta a semente da paixão, mas infelizmente come o cuscuz transgênico. Isso é uma tristeza, na minha casa, mandei moer o milho jabatão e fiz um xerém natural, lucrado no meu terreno. Acho que todos os agricultores deveriam resgatar esse costume em que a gente comia um arroz, um cuscuz da paixão”, disse o agricultor, associado ao Banco de Sementes Comunitário mais antigo da região da Borborema, que recentemente completou 40 anos.
Livres de transgênicos – No dia 31 de outubro, segundo dia do evento, a programação foi iniciada com a realização de testes de transgenia para certificar a pureza das sementes da paixão trazidas pelos agricultores. Para tanto foi usado o chamado teste da fita, que em poucos minutos acusa a presença ou não de proteínas transgênicas no material avaliado. Foram testadas 14 amostras de milho, entre as sementes dos guardiões e as variedades distribuídas pelos governos. Todas as amostras trazidas pelos agricultores deram negativo para contaminação por transgênicos. Os guardiões e guardiãs receberam um certificado de “Sementes Livre de Transgênicos”, atestado pela Rede de Sementes da ASA.
Risco de contaminação – Já o teste com a mostra do milho distribuído pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) deu positivo para a presença de proteína transgênica. O que reacendeu entre os agricultores a preocupação com o risco de contaminação de suas lavouras, já que, ainda que a distribuição desse milho seja voltada para a alimentação dos rebanhos, muitos agricultores inadvertidos acabam plantando estas sementes. Uma das propostas levantadas durante o seminário foi a de que se exija que o milho distribuído seja doado já triturado ou em farelo para evitar o plantio. “O Polo da Borborema vai realizar mais testes com as sementes de outros agricultores do território com a ajuda da Comissão de Jovens. Nós vamos inclusive enviar as amostras da Conab para que uma instituição de pesquisa possa atestar que é realmente transgênico para a gente comunicar oficialmente o fato ao órgão”, afirmou Roselita Vitor, da coordenação do Polo da Borborema.
O Seminário foi encerrado com o levantamento de estratégias comuns de ação para enfrentar os transgênicos como o fortalecimento das experiências exitosas dos bancos comunitários de sementes, a luta pela desburocratização do PAA, o reforço às parcerias com as instituições de pesquisas e a realização de campanhas de esclarecimento à sociedade sobre os transgênicos, em parceria com as secretarias de educação e saúde. O evento fez parte da preparação para a VI Festa Estadual das Sementes da Paixão, que acontecerá na Paraíba em 2015 e conta com o apoio do Projeto Sementes do Saber, cofinanciado pela União Europeia.
Fonte: http://aspta.org.br

IV Festa Regional das Sementes da Paixão em Santo André-PB

Áurea Olímpia

Santo André - PB

Guardiões e Guardiãs reafirmam luta pela agricultura da vida durante IV Festa Regional das Sementes da Paixão em Santo André-PB
O repasse de animais foi uma das atividades da Festa / Fotos: Aurea Olímpia
Mais de 500 pessoas entre agricultores e agricultoras, guardiões e guardiãs das Sementes da Paixão, estudantes de agroecologia, pesquisadores, representantes de entidades de assessoria e lideranças da Rede de Sementes da Articulação do Semiárido Paraibano (ASA Paraíba), estiveram reunidos na IV Festa Regional das Sementes da Paixão, realizada neste dia 06 de novembro, na Comunidade São Félix, no município de Santo André, Cariri Paraibano.

A festa teve como lema: “Resistir às ameaças, cultivando vidas!” e foi realizada em preparação à Festa Estadual das Sementes da Paixão, que acontecerá em 2015. A programação teve início à partir das 7h, com a chegada das caravanas e a montagem da Feira dos Guardiões e Guardiãs, que expuseram e trocaram produtos e experiências da agricultura familiar agroecológica e dos 35 Bancos de Sementes Comunitários do território do Cariri, Curimataú e Seridó, região de atuação do Coletivo.

Após a animação no palco e a acolhida às caravanas, o evento foi oficialmente aberto com uma mística, dois jovens recitaram um poema, de autoria do agricultor Antônio José Torres, do Sítio Cachoeirinha dos Torres, em Soledade-PB, que trouxe as ameaças aos projeto de convivência com o semiárido defendido pelas famílias camponesas, bem como as estratégias que as vem permitindo resistir.  Os representantes dos 11 municípios que compõem a região, fizeram uma entrada com a bandeira de cada cidade e símbolos da sua cultura, além do seu município representado em uma parte do mapa da região, decorado com sementes e outros símbolos de resistência. Todas as partes foram compondo um mapa, que aos poucos foi ficando completo e ficou exposto no palco durante toda a programação da festa. “É uma alegria estarmos aqui, a gente de Cubati, pode dizer que está mudando o mapa do município, que antes era representado só pelo sisal e pelo algodão, culturas que hoje já não servem mais pra nos representar, diante da diversidade do que estamos plantando, colhendo e guardando. É essa diversidade que hoje garante a nossa sobrevivência e nossa convivência com o semiárido”, afirmou Maria das Dores Medeiros, do Sítio Capoeiras, Cubati-PB.

Em seguida, uma peça de teatro encenada pelo Grupo de Trabalho (GT) de Jovens do Coletivo, apresentou de forma lúdica e descontraída, as armadilhas em que muitos jovens são levados a cair, abandonando a agricultura para ir para a cidade grande ou a proposta sedutora do lucro fácil por meio da monocultura especializada.

De forma criativa e descontraída, a peça abordou temas importantes para a agricultura camponesa. 
Durante a peça, os atores interagiram com a plateia, que fez intervenções no conteúdo do espetáculo. A agricultora Isabel Araújo, da comunidade Poço das Pedras, em São João do Cariri, participou pela primeira vez de um evento como este e ficou impressionada com o impacto do uso do teatro na atividade de formação: “O teatro é importante porque a gente vê e depois a gente analisa. Eu vim a convite do meu irmão, que há muito tempo já participa do trabalho, vejo que muitos jovens caem nesse erro e tentam influenciar os pais, mas a gente precisa cultivar também a semente de não ter medo e ter coragem de trabalhar naquilo que conhecemos, pois todos nós somos capazes”, disse.

Após esse momento, o engenheiro agrônomo e professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IFPB), Campus Sousa-PB, Chico Nogueira fez uma exposição dialogada sobre o significado de um evento como a Festa e a importância do trabalho de conservação e resgate de sementes e raças nativas, adaptadas à região semiárida: “Esse é um momento de reconexão com a natureza. Durante muito tempo, negamos a inteligência da natureza. Nós somos sujeitos da natureza e com as Sementes da Paixão estamos resgatando esse vínculo com ela e com toda essa sabedoria. Inteligente é quem cultiva vida e não alimenta a agricultura da morte”, afirmou.

 
Agricultoras e agricultores dos 11 municípios dialogaram sobre a agricultura camponesa.
Durante a exposição foi aberta à fala os agricultores e agricultoras que se sentiram provocados com a exposição de Chico. “O roçado é o berço de onde a gente tira e multiplica as nossas sementes, responsáveis pela segurança alimentar das nossas famílias”, afirmou Antonina dos Santos, do Sítio Pinhões, município de Santo André. A parte da manhã foi encerrada com a animação do trio de forró Asa Branca, também de Santo André, com as participações do sanfoneiro Joca Oliveira e do Padre Raniery Alves dos Santos, de Juazeirinho-PB.

Após o almoço, o período da tarde foi iniciado com as trocas na feira e o repasse simbólico de matrizes de caprinos para o Fundo Rotativo Solidário do Coletivo, que teve o apoio da entidade de cooperação Heiffer. O FRS do Coletivo já beneficiou famílias com mais de 600 animais em 12 comunidades de cinco municípios do território. Foi um momento de reafirmação dos animais como sementes fundamentais para a sobrevivência da agricultura no território. Foram repassados 15 animais, todos de raças adaptadas, para três famílias das comunidades de Malhada Vermelha e São Félix, de Santo André. José Moreira dos Santos, conhecido como ‘Zé de Conceição’, de Santo André, deu o seu depoimento sobre o impacto do FRS em sua vida: “Pra mim foi muito gratificante, a minha foi uma das primeiras famílias beneficiadas. Recebemos 6 matrizes e conseguimos reproduzir para 26 cabeças. Eu sempre digo as pessoas para cuidarem com carinho dos animais para no momento de repassar, a próxima família possa ter um animal nas mesmas condições que vocês receberam”, afirmou o agricultor, coordenador do FRS de animais da sua comunidade.

Campanha contra os agrotóxicos – Em seguida foi lançada a “Campanha contra os Agrotóxicos”, promovida pelo Patac em parceria com o Coletivo, no âmbito das ações do Projeto “Vida no Semiárido”, que tem o apoio de MISEREOR e o patrocínio da Petrobras. Na ocasião, as agricultoras Luciana Pereira da Silva e Quitéria dos Santos Cunha, ambas de Cubati, deram o seu testemunho sobre a experiência que tiveram com o uso de agrotóxicos, trabalhando em plantações de tomate. As duas mulheres relataram problemas graves de saúde e prejuízos financeiros, antes de optarem por uma agricultura limpa e saudável, livre de veneno. “Os agrotóxicos mentem ao dizer que vão acabar com as pragas. Os pesquisadores e quem usa os produtos sabem que, com o passar do tempo, os insetos se tornam resistentes e a pessoa vai ter que mudar para um veneno cada vez mais forte, porque aquele já não faz mais efeito. Essa mentira tem levado à contaminação do meio ambiente, ao adoecimento das pessoas e só enriquece a indústria de remédios e do veneno”, afirmou Antônio Carlos Pires de Melo, assessor técnico do Patac e um dos responsáveis pela campanha.

Após o lançamento da campanha, Chico Nogueira fez uma breve exposição sobre os transgênicos, ligada intimamente à indústria dos agrotóxicos: “O milho transgênico, por exemplo, é produzido em laboratório, já com o veneno dentro dele, com a promessa de afastar as pragas. Na prática, as pragas se tornaram resistentes e o uso dos transgênicos acaba vindo associado ao uso intensivo de veneno”, explicou. Foram então feitos testes de transgenia com amostras de milho trazidas pelos agricultores. Para tanto foi usado o chamado teste da fita, que em poucos minutos acusa a presença ou não de proteínas transgênicas no material avaliado.

Agricultoras e agricultores receberam certificados após o resultado negativo para a transgenia com mostras de milho.
Para o alívio dos participantes, os testes com as amostras deram negativo para a presença de transgênicos. Foram então distribuídos certificados para os guardiões e guardiãs das Sementes da Paixão livres de transgênicos. Um fato que causou preocupação entre os presentes foi que o teste com a mostra do milho distribuído pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) deu positivo para a presença de proteína transgênica. A preocupação é com o risco de contaminação das lavouras, já que, ainda que a distribuição desse milho seja voltada para a alimentação dos rebanhos, muitos agricultores inadvertidos acabam plantando estas sementes.

A rádio-poste atuou com a livre comunicação na Festa. 
Enquanto os testes de transgênicos eram feitos e os resultados aguardados, uma “Rádio Poste”, montada no local, interagiu com os agricultores, agricultoras e demais participantes da festa, que aproveitaram para visitar a feira, trocar sementes e comprar produtos da agricultura familiar, além de artesanato e outros materiais. Ocorreram ainda oficinas paralelas de feno, sal mineral e biofertilizantes. A IV Edição da Festa das Sementes da Paixão foi encerrada então, com uma benção ecumênica das sementes, feita pelo Padre, por praticantes evangélicos, benzedeiras e rezadeiras da região, que aspergiram as sementes trazidas pelos participantes.

A festa é uma realização do Coletivo Regional das Organizações da Agricultura Familiar e do Programa de Aplicação de Tecnologia Apropriada às Comunidades (Patac) em parceria com a ASA Paraíba, a ASA Brasil, o Centro de Ação Cultural (Centrac) e com o apoio financeiro da entidade de cooperação alemã MISEREOR e o patrocínio da Petrobras.


Fonte: 
http://www.asabrasil.org.br/Portal/Informacoes.asp?COD_NOTICIA=8756

Picui é Destaque Nacional Pelo IV Caminhada da Paz Pelo Fim da Violência Contra a Mulher: 16 Dias de Ativismo

Maricelma Santos - Comunicadora popular da ASA
Picuí - PB

A campanha dos 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra a Mulher surgiu depois do assassinato das irmãs Minerva, Pátria e Maria Tereza, ativistas que lutaram pela liberdade política em seu País. Essas mulheres foram brutalmente assassinadas pelo governo do ditador de Rafael Leônidas pelo simples fato de exigirem a liberdade política para a população residente na República Dominicana.

Este é o quarto ano de contribuição direta do CEOP com o tema.
A campanha é realizada em mais de cem países, são 16 dias de ativismo para as mulheres das mais diferentes culturas se juntarem em uma única bandeira. No Brasil, a Campanha se inicia no dia 25 de novembro e se encerra no dia 10 de dezembro.
As mulheres brasileiras continuam sendo violentadas, espancadas, insultadas e agredidas. Ou seja, enfrentam todos os tipos de violência. Na região do Curimataú e Seridó da Paraíba, área de atuação do Centro de Educação e Organização Popular (CEOP), o direito a vida das mulheres também estão sendo violados no dia a dia.

O CEOP tem contribuído com a discussão das desigualdades de gênero no seu território de atuação. Para tanto, há quatro anos vem mobilizando as mulheres da região do Curimataú e Seridó da Paraíba para saírem de suas casas e irem as ruas exigir o fim da violência. Assim sendo, a quarta Caminhada da Paz Pelo Fim da Violência Contra a Mulher será realizada no próximo dia 15 de novembro de 2014, na cidade de Picuí, a partir das 8h da manhã, vista sua camiseta branca, ou lilás e vamos ocupar as ruas de Picuí na sintonia com as mulheres de todo o planeta que ainda vivem em situação de violência.

Vamos exigir que os direitos sejam respeitados e cumpridos, que a vida das mulheres não seja negada no nenhum lugar do planeta.
NOTÍCIAS RELACIONADAS
Somos Todas Margaridas
Mulherada troca experiências em intercâmbio durante o I Primeiro Encontro Nacional de Agricultoras Experimentadoras
I Encontro Nacional de Agricultoras Experimentadoras: celebrando conquistas na trajetória da ASA
Agricultoras Experimentadoras, em Sergipe tem sim!
O papel da mulher na agricultura familiar é tema do I Encontro Nacional de Agricultoras Experimentadoras na Paraíba

Jovens trocam experiências no III Encontro Municipal da Juventude Camponesa de Massaranduba PB.

AS-PTA
Massaranduba - PB

A troca de experiências movimentou o Encontro | Foto: AS-PTA
Com o objetivo de valorizar o jovem do campo, refletir sobre o seu papel na agricultura familiar, fortalecer a troca de experiências e estimular a integração dos jovens à dinâmica de inovação agroecológica, além de entender o papel da juventude na ação sindical do município, aconteceu no Convento Ipuarana em Lagoa Seca, nos dias 24 e 25 de outubro, o III Encontro Municipal da Juventude Camponesa de Massaranduba-PB. O evento reuniu cerca de 50 jovens do município de Massaranduba e representantes da Comissão de Jovens do Polo da Borborema.

O evento foi iniciado com uma mística de abertura, quando foi formada uma mandala com produtos da agricultura familiar e uma ciranda. Em seguida, cada jovem que foi se apresentando levou para o mapa do município no centro de um círculo um produto trazido da sua comunidade e falou sobre o significado dele para a sua localidade.

A programação foi iniciada com uma roda de conversa sobre a história de cada participante na agricultura familiar. Logo após esse momento, os jovens se dividiram em grupos para fazer o diálogo orientado pelas seguintes perguntas: Como eu me descobrir agricultor/a? Como eu faço agricultura? Como eu me sinto agricultor/a? Após o trabalho de grupo, houve a socialização com as sínteses dos grupos apresentadas em targetas, desenhos e com a dinâmica da teia. “Esse momento é fundamental para que a juventude reflita sobre a agricultura a partir da sua realidade, do seu modo de vida, a partir da identificação e descoberta enquanto agricultor ou agricultora. Se reconhecendo e afirmando o seu lugar e o seu papel na agricultura familiar”, avalia Manoel Roberval da Silva, da coordenação da AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia, que assessora o Polo da Borborema.

Zé Pequeno dialogou com os participantes | Foto: AS-PTA
Na parte da tarde, José de Oliveira Luna, conhecido como seu Zé Pequeno, liderança sindical do município de Alagoa Nova e do Polo da Borborema, deu o seu depoimento de vida dentro da agricultura e da sua trajetória de liderança do campo. O depoimento de Zé Pequeno impressionou o jovem Alex Marques, de 17 anos, do Sítio Cachoeira de Pedra D’água: “Ele está com 67 anos e nunca teve salário que não fosse da agricultura. Eu, se Deus quiser, também quero ser assim. Não quero trabalhar pra ninguém, não. Quero tirar meu sustento da terra, a agricultura é o melhor emprego que tem”, disse animado o jovem. O primeiro dia do encontro foi encerrado com uma noite cultural para a integração entre os participantes.

Cartas da Juventude - No segundo dia, a programação foi iniciada com um Carrossel de experiências, onde foram socializadas “Cartas da Juventude do Campo”. Um grupo de quatro jovens do município escreveu previamente cartas, onde contam para outros jovens a sua história na agricultura, falam sobre como é a sua rotina, as dificuldades e as oportunidades da vida no campo. Genilda Maria da Silva, conhecida como Nilda, vive no Sítio São Miguel, ela tem apenas 11 anos, mas bastante coisas para contar sobre a vida na agricultura. A pré-adolescente foi uma das jovens que escreveu uma carta e socializou a sua experiência. Ela conta que desde muito pequena se interessa pela agricultura e nunca teve problemas em conciliar o trabalho com os pais e os estudos, já recebeu uma cabra do Fundo Rotativo Solidário de jovens do município e se prepara para repassar uma cria para outro jovem. Ela tem muita satisfação em ser agricultora: “Não sou como alguns que, quando perguntam, você é agricultor? Ele responde, não, eu sou estudante. Eu não, respondo sou agricultora sim, e com muito orgulho”, afirma.

Após o momento do carrossel, em que todos os grupos receberam as cartas e conheceram as experiências dos quatro jovens, foi feita uma rodada de impressões sobre as cartas e os demais participantes foram estimulados a produzirem as suas próprias cartas, que serão enviadas a outros jovens, de outros municípios do Polo da Borborema. Após isso, foi dado início ao planejamento de atividades para os grupos de jovens do município, com base na pergunta “o que podemos fazer para continuar fortalecendo a juventude do campo e a agricultura?”. Após a socialização do planejamento, o evento foi encerrado com uma ciranda e com a música de reco-recos confeccionados pelos próprios jovens, nos momentos de intervalo do encontro.

O encontro de jovens de Massaranduba-PB faz parte do ciclo de encontros da juventude camponesa do território do Polo da Borborema apoiados pelo Projeto Sementes do Saber, que visa contribuir com a inserção produtiva de jovens do meio rural. O Sementes do Saber tem o apoio da ActionAid e do Comitê Católico Contra a Fome e a Favor do Desenvolvimento – CCFD e cofinanciamento da União Europeia.

Fonte:
http://www.asabrasil.org.br

Idec promove atualização do Mapa de Feiras Orgânicas

Site do Consea

Produtores, associações e cooperativas de produtos orgânicos ou agroecológicos podem fazer o cadastro e integrar o Mapa de Feiras Orgânicas. O Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) está ampliando o mapa que já tem mais de 370 feiras e 45 grupos de consumidores cadastrados.
O Mapa de Feiras Orgânicas é uma ferramenta de busca rápida que mapeia e cadastra feiras orgânicas e grupos de consumo responsável voltada para estimular consumidores interessados em acessar alternativas de alimentação mais sustentáveis. Por mês, cerca de 10 mil pessoas acessam o mapa em busca de alimentos mais saudáveis e sustentáveis. De acordo com o cadastro, já são mais de 130 cidades em 24 estados do Brasil com feiras orgânicas.
No site, o consumidor pode encontrar o endereço de feiras especializadas e grupos de consumo responsável, informações de horários de funcionamento e e produtos regionais encontrados nesses locais. Além disso, o mapa mostra quais são as frutas, verduras e legumes da estação em cada região.
Para fazer parte do Mapa de Feiras Orgânicas, os interessados podem preencher o formulário no site (http://www.idec.org.br/feiras-organicas-cad-produtores/) ou enviar um email para feirasorganicas@idec.org.br .

Fonte: Com informações do Idec

Com seca, Caern adota rodízio de abastecimento no Seridó

Em Currais Novos e Acari rodízio será será de 24h por 48h.
Açude Gargalheiras, no Seridó, tem apenas 5,6% da capacidade.


Do G1 RN
Açude Gargalheiras, em Acari, tem volume d'água mais baixo da história (Foto: Fred Carvalho/G1)Açude Gargalheiras, em Acari, tem volume d'água mais baixo da história (Foto: Fred Carvalho/G1)
Com a situação de baixos níveis de água nos mananciais que abastecem as cidades de Currais Novos e Acari, a Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern) alterou o sistema de rodízio no abastecimento que vinha sendo adotado. O açude Dourado, que em situação normal abastece Currais Novos, secou, fazendo com que a cidade passasse a ser abastecida apenas pelo açude Gargalheiras, que já abastece também Acari, e está com 5,6% da capacidade.
A partir do próximo sábado, dia 1º de novembro, passa a funcionar a nova escala de rodízio no fornecimento de água para Currais Novos e Acari. Atualmente, o abastecimento é feito por 24 horas, sendo interrompido nas 24 horas seguintes. A escala a ser adotada agora prevê o abastecimento por 24 horas e a interrupção por 48 horas, de forma a garantir um período mais prolongado de suprimento de água no manancial.
O açude Gargalheiras, cuja gestão é de responsabilidade do DNOCS, atua hoje com menos de 6% do seu volume total de armazenamento. Diante desse cenário, é de fundamental importância para a população usar a água disponível de forma racional, evitando o desperdício. A cidade de Currais Novos tem população aproximada de 52 mil habitantes, enquanto Acari tem 16 mil moradores, em média.
Fonte: http://g1.globo.com

´Espetáculo´ de águas em Acari no semiárido do RN desaparece com seca histórica.

Açude Gargalheiras, no Seridó, tem apenas 5,6% da capacidade. ´Sangria´ do reservatório atraía milhares de turistas na cidade de Acari.
À dir., açude Gargalheiras em 2011, quando ainda ocorria a sangria, a cascata artificial; à esq., nos dias atuais, sob a seca (Foto: Canindé Soares e Anderson Barbosa/G1)
O sertanejo que mora no Seridó potiguar nunca sofreu tanto com a falta de chuvas. “Minha mãe dizia que nós tínhamos um mar de água doce na porta de casa, e que jamais nos preocuparíamos com a seca. Agora, só nos resta rezar”, lamenta o agricultor Fabiano Santos. Como ele, mais de 11 mil pessoas que vivem em Acari e 44 mil em Currais Novos dependem do açude Gargalheiras, que está com 5,6% da capacidade. As prefeituras dizem que a situação é desesperadora. O Seridó é uma das regiões mais afetadas pela seca no Nordeste, e fica no semiárido do Rio Grande do Norte, conhecido pela pouca folhagem e sombra da vegetação.
Para a Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern), a única solução é racionar. Nas duas cidades, a empresa impôs rodízios para não ter que suspender o abastecimento. Já o escritório local do Departamento de Obras Contra a Seca (Dnocs) diz que não há obras em andamento e a única coisa a fazer agora é torcer para que as chuvas venham logo. Na região, não há boas precipitações desde o início do ano. O Dnocs é uma autarquia federal vinculada ao Ministério da Integração Nacional e tem como papel principal executar políticas para o beneficiamento de áreas e obras de proteção contra as secas e inundações.
G1 foi ver de perto o mar dos seridoenses. A primeira parada foi em Acari, a pouco mais de 200 quilômetros de Natal. Eleito uma das sete maravilhas do estado em um concurso realizado por um jornal, o Gargalheiras (cujo nome oficial é açude Marechal Dutra) foi inaugurado em 1959. Ao longo de 55 anos, as águas transpuseram a parede da barragem, que tem 25 metros de altura, pelo menos 30 vezes.
A última sangria, em maio de 2011, com uma lâmina d´água de mais de 1 metro, formou uma cachoeira artificial que se tornou ponto turístico durante duas semanas. Agora a paisagem é outra. O reservatório, um dos maiores do estado, pode armazenar até 44,5 milhões de metros cúbicos de água, mas está no nível mais baixo da história (5,6%). A medição mais recente foi feita pelo Dnocs no dia 21 de outubro.
´Agora,
´Agora, só nos resta rezar´, lamenta o agricultor
Fabiano Medeiros (Foto: Anderson Barbosa/G1)
Pelo tamanho do reservatório e importância econômica para toda a região, o sertanejo acreditou que os efeitos da seca haviam se tornado lembranças do passado. “A alegria do homem do campo foi embora, evaporou. Só ficou a preocupação”, afirma Francisco das Chagas Barbalho, de 59 anos.
Funcionário de carreira, ele trabalha há mais de 30 anos no escritório do Dnocs em Acari. “Na região, a última chuva considerável, cerca de 80 milímetros, caiu em janeiro. Aqui e acolá vem uma garoa, que não dá para nada. O Dnocs não tem o que fazer. É pedir a Deus um inverno bom”, acrescenta.
“A sangria do Gargalheiras é um espetáculo que atrai milhares de pessoas. Turistas movimentam a economia da cidade. A pesca se fortalece. Hoje não tem mais nada disso”, lamenta Celso Medeiros, que já presidiu a colônia de pescadores da região e agora toma conta de uma das pousadas mais tradicionais de Acari. “Há três anos aqui vivia cheio de gente. Os onze quartos da pousada estavam sempre lotados. Hoje não dá quase ninguém. Quem quer ver uma beleza dessa seca? É muito triste assim como tá”, afirma.
AçudeJosé Luiz é um dos poucos pescadores que ainda arriscam a sorte em Gargalheiras (Foto: Fred Carvalho/G1)
A tristeza de Celso é compartilhada pelo pescador José Luiz. Com 60 anos, ele nem precisa mais de canoa. Com o nível da água baixo, é possível descer pelas margens da barragem e andar pelo leito do rio. José é um dos que ainda arriscam passar horas lá e sair com poucos peixes na mão. “É necessidade. Mesmo dando muito, pouco ou quase nada, é daqui que eu tiro o sustento da minha família. Há três anos pescava até 30 quilos por dia de tilápia e camarão. Hoje nem chega a 5 quilos. Dá para comer um pouco e o resto a gente vende”, diz. Sentado numa pedra, quase embaixo da imponente parede do açude, ele deposita na fé a esperança de dias melhores: “Só Deus para nos ajudar”.
Francisco
Francisco Medeiros, o Titi, mostra o pouco do
camarão que conseguiu pegar
(Foto: Anderson Barbosa/G1)
Francisco Medeiros, conhecido como Titi, tem 50 anos e diz ser um dos pescadores mais ativos da região. “Pesco desde os 12 anos, e nunca vi uma coisa tão triste assim. Mal dá para viver. Sem dinheiro, atrasam as contas de água, luz e gás. Tem o seguro do defeso, que ajuda, mas que só começa a ser pago no mês que vem. Recebemos um salário mínimo por três meses quando a pesca é proibida por causa da desova. Este ano, como está muito ruim, estão dizendo que vão pagar quatro meses. Sei não”, comenta.
Enquanto aguarda pela recuperação do Gargalheiras, ele mostra o pouco do camarão que conseguiu pegar. “Com o açude cheio, o camarão é graúdo. E dá para pegar mais de 30 quilos. Hoje só tem assim, bem miudinho. Só serve para moer e fazer linguiça de camarão. É trabalho dobrado para ganhar bem menos”, reclama.
Ficha - especial seca - Acari (RN) (Foto: G1)
Rodízio de água
A Prefeitura de Acari diz que busca parcerias para tentar minimizar os efeitos da estiagem. José Ari Bezerra Dantas, secretário de Agricultura, Meio Ambiente e Abastecimento do município, conta que desde o início da estiagem prolongada, ainda em 2012, 13 poços artesanais foram perfurados nas comunidades rurais. “Cinco poços foram perfurados pela Secretaria Estadual de Recursos Hídricos; os outros oito pelo Exército, por meio da Operação Pipa. Estamos tentando outros 15 poços no Dnocs”, afirma.

O secretário também destaca atuação da Operação Pipa no município, que por meio de carros-pipa retira água do Gargalheiras, leva para a central de tratamento da Caern e devolve à população abastecendo as cisternas das comunidades mais afastadas. Contudo, José Ari admite que as medidas não são suficientes. Para ele, a situação é mais preocupante do que se imagina. “É desesperadora. Pode perguntar para a Caern. Se não chover até o fim do ano, o Gargalheiras vai entrar no volume morto, que é uma água muito suja. Provavelmente será preciso intensificar o rodízio de água aqui no município”, acrescenta.
População
Gerente do escritório da Caern em Acari, Adelson Santos concorda com o secretário. Ele explica que o rodízio implantado até o momento é de 24 horas. Enquanto metade da cidade recebe água, as bombas são fechadas para a outra parte. No dia seguinte, a situação se inverte. “É necessária. Se não fosse esse sistema, já estaríamos sem água.”
Ainda de acordo com Santos, o chamado volume morto é o resto, quando o manancial atinge menos de 5% de sua capacidade de armazenamento. Nesta condição, a água se torna imprópria para o consumo humano em razão da mistura com a lama e demais dejetos que estão no fundo do leito. “Ainda dá para utilizar, mas daí carece de um tratamento químico mais forte. No ritmo que vem baixando o nível, as águas do Gargalheiras devem chegar ao volume morto até o fim do ano”, estima.
“Se não chover até lá, é claro que a água vai baixar ainda mais, até chegar num ponto em que o tratamento será ineficaz. Daí não vai ter outro jeito senão suspender a distribuição de água em Acari. Isso, consequentemente, afetará também todo o município de Currais Novas”, complementa o gerente da Caern.
Situação crítica e prejuízos
Para o governo do Rio Grande do Norte, esta é a pior seca dos últimos 50 anos. Dos 167 municípios do estado, 152 estão em situação de emergência por causa da estiagem prolongada. O decreto, o sétimo consecutivo desde abril de 2012, foi publicado pela governadora Rosalba Ciarlini no final do mês passado.

A Secretaria Estadual de Agricultura estima um prejuízo de R$ 4,6 bilhões para a produção agropecuária potiguar, o que representa uma redução de 56,9% na contribuição do setor rural para a formação do Produto Interno Bruto (PIB) do Rio Grande do Norte, que é a soma de todos os bens e serviços produzidos no estado.
AçudeRodízio de água em Acari deve ser intensificado (Foto: Fred Carvalho/G1)
Reservatórios baixos
De acordo com o decreto, a maior parte dos reservatórios localizados no estado estão com percentual de armazenamento inferior a 50% da capacidade máxima. O documento acrescenta que, desses reservatórios, há 15 açudes com armazenamento inferior a 10% da capacidade máxima. O governo reforça que a situação tem deixado a zona rural dos municípios sem água para produção agrícola e pecuária e também para consumo humano.

Relatório da Caern de 13 de agosto revelou a existência de cinco municípios com colapso no abastecimento em virtude da escassez de recursos hídricos. A previsão é que mais oito cidades possam vir a ter seus sistemas de abastecimento de água interrompidos até dezembro. Até o momento estão em colapso no abastecimento os municípios de Rodolfo Fernandes, Tenente Ananias, Paraná, Antônio Martins e Carnaúba dos Dantas. Em novembro do ano passado, o G1 visitou nove cidades em colapso e constatou que, na maioria, a população precisava usar os recursos do Bolsa Família para comprar água.
A Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (Emparn) informou que os índices pluviométricos das cidades apresentam desvios negativos de até 35% abaixo da média. No decreto, o governo explica que as chuvas de inverno foram insuficientes para a formação de estoques de água potável para o suprimento da população rural nos principais reservatórios, tais como açudes, tanques, poços tubulares, barreiros e cisternas.
Fonte: G1

Banho de bacia é rotina em Currais Novos RN 2ª maior cidade do Seridó Rio Grandense atingida pela seca

'Deixo a água descer pelo corpo. O que cai, uso novamente', diz moradora.Em Currais Novos, fornecimento de água é uma vez por semana.


Água do açude Dourado ainda é utilizada para abastecer parte da cidade. Pescadores e urubus tentam aproveitar o pouco que resta (Foto: Anderson Barbosa/G1)Água do açude Dourado, em Currais Novos, deixou de abastecer a cidade na terça-feira (28). Pescadores e urubus tentam aproveitar o pouco que ainda resta (Foto: Anderson Barbosa/G1)
Dona Marli Medeiros, de 58 anos, tomar banho na bacia para aproveitar a pouca água que chega (Foto: Anderson Barbosa/G1)
Dona Marli Medeiros, de 58 anos, toma
banho na bacia para aproveitar a pouca água
que chega (Foto: Anderson Barbosa/G1)
Quem mora em Currais Novos, um dos maiores municípios da região Seridó potiguar, compreende a necessidade de  racionar água, mas reclama quando o esquema do rodízio falha. As bombas podem quebrar ou outros imprevistos acontecerem, fazendo a espera pelo reabastecimento ainda mais longa. No bairro José Bezerra, que fica na parte mais alta da cidade, os moradores dizem que não têm água nas torneiras há duas semanas.
Enquanto aguardam, há gente que toma banho em bacias para não desperdiçar nada. Outros deixam as torneiras permanentemente abertas para aproveitar qualquer gota que escorra pelo encanamento.
A falta de chuvas e o baixo nível de água no açude que abastece a cidade levaram a Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern) a adotar um sistema de rodízio semanal para que o fornecimento não seja suspenso por completo. Quem hoje recebe água pelas torneiras, só vai vê-la novamente daqui a sete dias. O município tem 44 mil pessoas.
A dona de casa Maria das Graças Araújo, de 61 anos, diz nunca ter passado por um período de falta d'água tão ruim. “Nunca sofremos tanto”, conta. “Tem que ficar pastorando, vigiando. A bica fica aberta o tempo todo. Se cair água, já vai para dentro do balde. Não podemos perder um minuto quando a água da Caern chega”, diz ela.
Na casa ao lado mora Marli Medeiros, de 58 anos. Ela conta que toma banho sobre uma bacia para aproveitar a pouca água que tem. “É assim todos os dias. A água que chega a gente guarda na caixa, em baldes, onde dá. Na hora de tomar banho, eu fico em pé em cima da bacia e deixo a água descer pelo corpo. O que cai na bacia uso novamente. No fim, a água já serve para dar descarga no banheiro e molhar as plantas”, explica.
G1 visitou o açude de Currais Novos, o Dourado, que fica a 170 quilômetros de Natal. A capacidade de armazenamento é de até 10,3 milhões de metros cúbicos de água, mas de acordo com a medição mais recente, feita no último dia 21 pelo Departamento Nacional de Obras Contras as Secas (Dnocs), há apenas 0,29% de água no local - já dentro do chamado volume morto. A Caern acredita que o Dourado deve secar por completo em menos de uma semana.
A água que ainda existe deixou de ser retirada e tratada pela companhia na terça-feira (28), mas já não servia para o consumo humano. "Dava apenas para os serviços domésticos, como lavar roupa, tomar banho e cozinhar. Para beber, nem pensar. Agora, não serve para mais nada. É suja e tem mau cheiro. Impossível tratar”, ressalta Lúcia de Fátima, que trabalha no escritório local da Caern.
frase seca rn (Foto: G1 RN)

Ficha - especial seca - Currais Novos (RN) (Foto: G1)
Mesmo assim, ainda é possível encontrar pescadores que insistem em tirar do reservatório o sustento de casa. Lado a lado com urubus, Francisco de Assis pesca enquanto ainda dá. “E eu vou fazer o quê? Ainda tem peixe aqui. São pequenos e poucos, mas é o que tem para comer. Quando o açude secar e os peixes morrerem, eu vejo outra coisa para fazer”, afirma.

José Eudes é chefe do escritório da Caern em Currais Novos. Com a suspensão da retirada da água do Dourado, o abastecimento ficou totalmente dependente do açude Gargalheiras, em Acari. E para que a água chegue a todos, a companhia dividiu a zona urbana de Currais Novos. Há 10 dias eram cinco áreas. Agora, são sete. "Durante 24 horas, os equipamentos de tratamento bombeiam a água retirada do Gargalheiras para uma das regiões, enquanto as demais aguardam pela vez. No dia seguinte, segue o rodízio", explica.

Uma das soluções apontadas pelo gerente seria fazer um engate rápido na tubulação da adutora Armando Ribeiro Gonçalves, em Jucurutu. “De lá até Currais Novos, são 75 quilômetros. O serviço é necessário para resolver a dependência que o município tem do açude Gargalheiras, em Acari, e do próprio açude Dourado. Estamos tentando essa obra junto com o Dnocs, mas a previsão é de começar o serviço somente em janeiro, com conclusão de seis meses. Até lá, para que Currais Novos não entre em colapso se não chover, a medida seria a escavação de cacimbões [poços] no próprio Gargalheiras”, acrescenta.
O prefeito Vilton Cunha lembra que em 2004 a população de Currais Novos também viveu uma crise, mas não como agora. "O momento é difícil, mas tenho certeza que vamos superar. Temos carros-pipa abastecendo a zona rural e estamos tentando escavar os cacimbões no Gargalheiras. Enquanto isso, pedimos a contribuição da população para que não desperdice água. E também pedimos a Deus que traga um inverno mais rigoroso”, afirma.
  •  
Maria das Graças busca água todos os dias no chafariz improvisado pela prefeitura (Foto: Anderson Barbosa/G1)Maria das Graças busca água todos os dias no chafariz improvisado pela prefeitura (Foto: Anderson Barbosa/G1)
Para quem não recebe água encanada, a água consumida e usada para os afazeres domésticos vem das cisternas. Para encher os reservatórios só existem duas maneiras. “Sem chuva não temos como juntar água pelas calhas. Então a gente espera pelos carros-pipa ou compra”, conta a agricultora Maria das Graças, de 61 anos. Ela mora no Povoado Cruz, na zona rural de Currais Novos. “Todos os meses o carro-pipa vem encher a cisterna, mas não tem dia certo. Como não tenho dinheiro, todo dia venho aqui no ginásio para pegar água."
A prefeitura improvisou um chafariz público para fornecer água à comunidade. Assim como Maria das Graças, crianças e jovens também usam o chafariz. “A gente pega para vender. Nem todo mundo vem aqui. Então a gente pega, enche os galões e vende cada um a R$ 0,50, diz Marcelo, de 16 anos. Ao lado dos irmãos, ele carrega o carrinho umas três ou quatro vezes por dia. “O dinheiro é para minha mãe comprar comida para gente."
Fonte:http://g1.globo.com

Notícias do Semiárido Nordestino,Seridó da Paraíba e Rio Grande do Norte.

SERIDONEWS

SERIDONEWS 2018 - ALEXLIMA