Audiência Pública do Senado em Natal discutirá Transposição

Audiência Pública solicitada pela senadora Fátima Bezerra discutirá a Transposição do Rio São Francisco na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte (AL/RN), segunda-feira (28).  O evento será promovido pela Comissão Temporária do Senado para Acompanhamento das Obras da Transposição e Revitalização da Bacia Hidrográfica do RSF (CTBHSF), em parceria com o Poder Legislativo estadual, Comitê de Ações de Combate à Seca e Frente Parlamentar da Água da AL/RN. O ministro da Integração Nacional, Gilberto Occhi, confirmou presença.
Ao solicitar a audiência à CTBHSF, a senadora ressaltou que a ideia é debater a obra e o impacto sobre a vida da população do semiárido nordestino, em especial do RN. Além disso, enfatizou que dado o caráter estruturante da obra para o semiárido nordestino, é fundamental discutir com profundidade os impactos que a mesma provocará em cada um dos estados da região.
Para Fátima, a obra da Transposição representa, sem nenhuma dúvida, a redenção hídrica do Nordeste. “A conclusão da transposição do rio São Francisco em todos os seus eixos representará um fato histórico: pela primeira vez, o povo do Sertão não vai precisar contar quantos dias já se passaram desde a última chuva ou contar quantos copos d’água seriam utilizados pela família durante aquela semana”, comentou a senadora.
O Governo do Estado, a bancada federal do Rio Grande do Norte, deputados e sociedade civil serão convidados para o debate. O relator da CTBHSF, senador Humberto Costa, do PT de Pernambuco, também confirmou presença no evento.
Fonte: http://portal.fatimabezerra.com.br

CBH quer que Ministério Público Federal investigue “Mercado da Água” em Caicó

Em contato com o Blog do Marcos Dantas nesta noite de quinta-feira (17), o presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Piancó/Piranhas/Açu, José Procópio de Lucena demonstrou preocupação com o que ele chega a chamar de “mercado da água”, através da venda de forma indiscriminada de água pela CAERN, chegando a ser comercializada por um preço dez vezes maior do que o pago na Companhia.
Procópio disse que o Comitê vai acionar o Ministério Público Federal ainda nesta sexta-feira (18), para que o procurador Bruno Lamenha possa apurar a veracidade da informação, e consequentemente adotar as medidas cabíveis. “Se a Caern não vem conseguindo garantir água para toda a população caicoense, não pode praticar o mercado da água, onde alguns estão pagando um preço muito menor do que o cobrado pelo metro cúbico”, explicou.

Fonte: http://marcosdantas.com/

João Pessoa vai sediar Feira Agropecuária e Derivados da Paraíba

O Governo do Estado, por meio da Secretaria do Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap), em parceria com a Federação da Agricultura e Pecuária da Paraíba (Faepa), realiza a 48ª Feira Agropecuária e de Derivados da Paraíba.
O evento acontecerá de 20 a 27 de setembro, no Centro de Eventos e Exposição Henrique Vieira de Melo e, conforme a assessoria governamental, visa à realização de negócios para o setor agropecuário, comercialização de animais, máquinas e feno, além de apresentar novas tecnologias para os produtores rurais do Estado.
O tema foi evidenciado no Programa Esperança no Campo e Domingo Rural explicando que serão oito dias de feira dedicados ao agronegócio paraibano, com exposição de máquinas e implementos agrícolas, oficinas, cursos e palestras, julgamentos, shopping de animais, leilão de bovinos, feira de artesanato e de agricultura familiar, praça de alimentação e shows com atrações musicais.
Fonte: Stúdio Rural / Programa Domingo Rural

Conferências territoriais de juventude rural no estado da Paraíba

O mês de setembro já está sendo marcado no Estado da Paraíba pelo conjunto de realizações de encontros da juventude camponesa paraibana com as conferências territoriais de juventude que estão acontecendo nos 15 territórios paraibanos.
Durante o Programa Esperança no Campo do último sábado(12) e Domingo Rural do domingo(13) Stúdio Rural abordou a temática a partir da conferência acontecida na cidade de Arara, Território Borborema, evento que contou com entidades de governos e não governamentais e representou a primeira de um total de 15 a acontecerem na Paraíba e que foi sequenciada a partir do Territorial do Vale do Paraíba; em Salgado de São Félix, na última terça-feira(15/09); Territorial da Zona da Mata Norte, em Marcação, dia 15/09; Médio Piranhas, em Pombal, dia 16/09; Cariri Ocidental, em Sumé, dia 16/09; Médio Sertão, em Santa Luzia, dia 17/09; Cariri Oriental, em soledade, dia 18/09; Vale do Piancó, em Itaporanga, dia 19/09; Curimataú, em Cuité, dia 21/09; Piemonte da Borborema, em Alagoa Grande, dia 22/09; Zona da Mata Sul, em Pitimbu, dia 22/09; Vale do Piranhas, em Sousa, dia 24/09; Serra do Teixeira, na cidade Tavares, dia 25/09; Alto Sertão, na cidade de Cajazeiras, dia 25/09; e Territorial do Seridó, na cidade de Juazeirinho, no dia 26/09.
Antônio Ferreira Filho é assessor estadual da Emater nas dinâmicas territoriais, participou do Programa Esperança no Campo e Domingo Rural detalhando o conjunto das ações promovidas nos 15 territórios paraibanos e falando sobre o primeiro encontro acontecido na cidade de Arara garantindo que as organizações e pessoas, no estado da Paraíba, estão bem avançados nas discussões de desenvolvimento territorial e agora na inserção da juventude rural nas discussões políticas de desenvolvimento. “Inicialmente não estava previsto essas conferências territoriais, então foi a Paraíba que bateu o pé e que conseguiu que os territórios fizessem as suas conferências territoriais e tirassem jovens rurais como delegados e delegadas para a conferência estadual e a nacional, então essa foi uma conquista da Paraíba que, inclusive, está servindo de modelo para o resto do país”, explica acrescentando que a coordenação executiva territorial delegou poderes amplos à uma comissão organizadora que dialoga dentro da coordenação estadual.
Falando sobre a importância dos encontros, Ferreira explicou que cada conferência tirará propostas na lógica e no gosto da juventude para que sejam levadas para o encontro estadual e, posteriormente, para o encontro nacional que passarão a fazer parte do Plano Nacional das Juventudes Rurais e Sucessão Rural. “Por que sucessão rural? Nós estamos observando o esvaziamento do campo com a migração do campo para a cidade com as pessoas da zona rural e vindo morar na cidade, pra você ter uma ideia, tem um estude recente em que de 2001 a 2010 saíram do campo para a cidade 2 milhões de pessoas, não é pouca gente, e desses 2 milhões de pessoas é um milhão de jovens rurais que saíram do campo pelos mais diversos motivos. Pouco acesso a educação, pouco acesso a saúde, pouco acesso ao transporte, sem terra, em busca de educação, em busca de renda, em busca de oportunidade então tudo isso contou para que esses jovens migrassem do campo para a cidade”, explica aquele extensionista afirmando que os governos precisam criar políticas públicas que sejam atrativos para que a juventude se mantenha no meio rural. “Daí a grande importância de uma conferência como essa para nós darmos voz para que os jovens sejam protagonistas de sua história e tem muitas políticas públicas direcionadas para os jovens que os próprios jovens não conhecem”, explica falando de um conjunto de políticas já existentes voltadas para a juventude rural.
Ranyfábio Cavalcante de Macedo é do Ministério do Desenvolvimento Agrário e participou do encontro representando a Delegacia Federal do Desenvolvimento Agrário no evento, participou do Domingo Rural e Esperança no Campo falando sobre as conferências de setembro e sobre a estadual e nacional. Ele garante tratar-se de uma grande conquista da juventude e informa que o MDA e entidades parceiras estão intensificando os esforços para que o jovem seja protagonista na construção de sua história. “Nós estamos no processo de construção das políticas públicas e tivemos a criação da secretaria de juventude dentro do Governo Federal em 2005, tivemos o lançamento do estatuto da juventude numa publicação acho que em 2012 e agora estamos trabalhando pra reafirmar essas políticas pra melhorar e construir políticas novas e temos os jovens discutindo temas ligados a saúde, ao direito a cidadania e a educação, a comunicação, ao meio ambiente, a sustentabilidade e são diversos temas que estão sendo discutidos para que a gente possa construir e a presidente Dilma publicar no ano que vem o Plano Nacional da Juventude”.
Nesta sexta-feira(11), no Território da Borborema, em evento acontecido no Centro de Formação, na cidade de Arara, Curimataú paraibano.
O evento que aconteceu no último dia 11 contou com entidades da agricultura familiar, jovens agricultores das diversas cidades que compõem aquele território além de órgãos de governo como Delegacia Federal do MDA-PB, Procase, Emater, somadas a organizações de assessoria a exemplo da Coonap dentre outras.
Fonte: Stúdio Rural / Programa Domingo Rural

Em contexto adverso, sociedade civil e governo federal constroem II Plano Nacional da Agroecologia


Representantes da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), ministérios e órgãos do governo federal estão reunidos no Seminário Dialoga Brasil Agroecológico (clique aqui para conferir a programação), em Brasília (DF), para discutir uma proposta conjunta para o II Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica, a ser executado entre 2016 e 2019.

A abertura do Seminário, organizado pela Comissão Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (CNAPO), um fórum com participação paritária da sociedade civil e governo federal, foi à noite com a presença dos ministros Patrus Ananias, do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), e Miguel Rossetto, da Secretaria Geral da Presidência.

Na ocasião, a presidente do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, Maria Emília Pacheco, falou da importância de trabalhar a convivência com o Semiárido para a segurança alimentar e se apresentou como portadora da carta aberta “Por um Semiárido vivo com direito à água e Soberania Alimentar”, assinada por artistas, políticos, militantes sociais, lideranças sindicais e religiosos. A carta faz um apelo ao Executivo nacional para que o ajuste fiscal não paralise “as ações que vêm mudando radicalmente a paisagem e as faces do Semiárido para melhor e que garantem vida digna ao seu povo.”

"Conseguimos trazer para o PPA um eixo estratégico que une agroecologia, segurança alimentar e economia solidária", conta Verônica Santana do MMTR | Foto: Divulgação
A construção do II Plano Nacional de Agroecologia acontece num momento de anúncio de cortes de orçamento público federal, reforma ministerial e retrocessos de direitos garantidos na Legislação Federal aprovados pelo Congresso Nacional. Todos esses elementos apontam para um cenário pouco propício para avanços concretos na execução da Política Nacional de Agroecologia. “Com o corte de 60% no orçamento do Ministério do Desenvolvimento Agrário, principal ministério que dialogamos sobre as políticas para agricultura de base familiar, ficamos muito preocupados”, comenta Verônica Santana, secretária executiva do Movimento da Mulher Trabalhadora Rural do Nordeste (MMTR-NE).

Apesar desta apreensão, o movimento agroecológico se articulou para incidir também na construção no Plano Plurianual do Governo Federal, o qual provisiona os recursos para as ações ministeriais dos próximos três anos (2016 a 2018). “Nós conseguimos trazer para o PPA um eixo estratégico que une agroecologia, segurança alimentar e economia solidária. O eixo estratégico perpassa a ação de vários ministérios”, conta Verônica, que representa as mulheres agricultoras na CNAPO e é membro da Mesa Coordenadora desta Comissão. No mês passado, o movimento sindical rural promoveu a V Marcha das Margaridas que levou às ruas de Brasília mais de 70 mil mulheres e foi considerada a maior manifestação do Brasil. Na pauta da Marcha, entregue à presidenta Dilma Rousseff, reivindicações para o fortalecimento da agroecologia.

Para Denis Monteiro, secretário executivo da ANA e também membro da Mesa Coordenadora da CNAPO, o contexto de corte de recursos públicos para os programas sociais é um risco que existe de fato. “O nosso papel é cobrar do governo e dialogar com a sociedade sobre a importância destes programas e políticas para a sociedade como um todo. Quando se garante água de qualidade no Semiárido para os agricultores, é um investimento público que tem uma repercussão positiva para toda a sociedade. Você garante produção de alimento de qualidade, você oferta uma maior quantidade de alimentos nos municípios, nas regiões. Então o governo não pode cortar orçamento deste tipo de programa.”

"Temos condições de avançar, apesar do contexto adverso", avalia Denis Monteiro, secretário executivo da ANA
Denis também percebe o II Plano de Agroecologia como uma iniciativa que leva o Estado a dois movimentos: enfrentar os retrocessos do Congresso Nacional quanto à garantia de direitos previstos na Constituição Federal - a exemplo do uso descontrolado de agrotóxico nas lavouras - e atender as necessidades da sociedade quanto à alimentação saudável, conservação das águas para enfrentar a crise hídrica e a criação de ações efetivas para reduzir o uso de agrotóxicos. “Temos condições de avançar, apesar do contexto adverso. O nosso papel enquanto ANA é propor e cobrar do Estado a efetivação destas propostas. É com esse espírito que estamos indo para este Seminário.”

Proposta da sociedade civil – No dia 10 de agosto passado, a ANA entregou ao Governo Federal uma proposta de Plano construída de forma coletiva por mais de 300 pessoas, através de cinco seminários regionais e um nacional. Essa versão foi encaminhada para a Câmara Interministerial de Agroecologia e Produção Orgânica (CIAPO), composta por gestores de 10 ministérios e autarquias federais. No último dia 4, a CIAPO deveria ter devolvido a proposta da ANA com observações deles à luz do Plano Plurianual. A versão com as considerações governamentais não foi entregue aos representantes da ANA com antecedência para discussão no seminário que se estende até sexta-feira (18).

Na proposta da ANA, foi dado ênfase a iniciativas que visibilizam o papel da mulher na agricultura agroecológica | Foto: Arquivo Asacom
Na proposta apresentada pela sociedade civil, foram dadas ênfases às questões estruturantes para o avanço da agroecologia como o acesso a terra e ao território dos povos e comunidades tradicionais e previstas iniciativas que visibilizem o papel da mulher e do jovem na agricultura agroecológica, como a criação de tipos diferenciados de créditos direcionados às mulheres. “As políticas públicas precisam atender às diversas necessidades das mulheres tanto no que se refere às características regionais, quanto à fase em que a propriedade se encontra na transição agroecológica”, destaca Verônica.

Na versão do II Plano de Agroecologia proposto pela ANA, também é sugerida a criação e implementação do Programa Nacional de Sociobiodiversidade e da Política Nacional de Plantas Medicinais. Assim como são defendidos direitos sociais e ambientais postos em ameaça pelo Congresso Federal, que tem sido um território de vitórias do agronegócio com a aprovação de projetos de lei que põem em xeque medidas de proteção à saúde da população brasileira e à biodiversidade nacional.

Só para exemplificar, lembramos a aprovação no Congresso Federal e no Senado, este ano, de um projeto de lei que desobriga os fabricantes de informar aos consumidores quando há ingredientes transgênicos e, portanto, produzidos com o uso de agrotóxicos em grande escala. Com a queda da rotulagem dos transgênicos é negado o direito à informação à sociedade brasileira, vítima cada vez mais de doenças graves provocadas pela alta ingestão de agrotóxicos, como o câncer e depressão.

Agroecologia no Semiárido – A prática da agroecologia pelas famílias agricultoras, povos e comunidades tradicionais na região semiárida brasileira tem promovido a proposição e execução de políticas públicas através do diálogo entre sociedade civil e governo federal. Um exemplo disto é o novo Programa Sementes do Semiárido, que apoiará 640 casas ou bancos de sementes comunitários, envolvendo 12.800 famílias agricultoras da região.

O apoio às casas de sementes se dá através da construção do espaço físico e aquisição de equipamentos ou só através deste último, além da doação de recursos para aquisição de sementes crioulas.  As casas de sementes estruturam e fortalecem a ação de famílias agricultoras, povos e comunidades tradicionais, que salvaguardam o rico patrimônio genético alimentar do povo brasileiro.

Na zona rural de Cumaru, município do Agreste pernambucano, a família de Elias e Josefa Andrade Nóbrega, que mora na comunidade Sítio Gavião de Cima, tinha perdido algumas sementes que os pais e avôs costumavam plantar, como a do milho branco e os feijões olho de pombo e costela de vaca. Através da organização Centro Sabiá que atua na região e integra a ASA Pernambuco, Elias e Zefinha, como é conhecida, foram cadastrados na casa de semente comunitária que será construída com recursos do Programa de Sementes.

Dona zefinha doou garrafas pet com feijão Sempre Verde para a formação do estoque de sementes da nova casa | Foto: Verônica Pragana/Arquivo Asacom
“Depois que fizemos a cisterna-calçadão, nos convidaram para fazer parte do banco de sementes e achei interessante. Tem feijão que nem conhecia, como o feijão manteiga, que é amarelinho. Plantei [o feijão manteiga] pra reprodução da semente na horta candeeiro, que não precisa por água todo dia”, conta dona Zefinha, que já deu sua parcela de contribuição para a formação do estoque de sementes da nova casa: doou várias garrafas pet com sementes de feijão Sempre Verde.

Para Denis, da ANA, “o Programa Sementes é uma das principais conquistas do Plano de Agroecologia e que a gente propõe que seja ampliado, com mais recursos públicos, maior abrangência social, significa um envolvimento de um conjunto mais amplo de organizações. No Semiárido, houve essa iniciativa e nos outros biomas?”

A trajetória da rede ASA é uma das que serão apresentadas amanhã, segundo dia do Seminário, na mesa “Apresentação de Experiências Agroecológicas apoiadas pelo Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica”. Segundo Marilene Alves, da ASA Minas Gerais, a exposição abordará três dimensões presentes na relação da ASA com a agroecologia.

Uma dimensão é a prática da agroecologia no Semiárido. “Vamos apresentar como fazer agroecologia com pouca água.” A segunda dimensão é a da agroecologia como ciência. “A ASA valoriza esse conhecimento e favorece o encontro com o saber tradicional das famílias agricultoras.” A terceira dimensão é da agroecologia como movimento. “A nossa prática está muito associada à construção de redes e de espaços coletivos, como a Articulação Nacional de Agroecologia, que fazemos parte, a rede Ater Nordeste, as próprias ASAs estaduais...”

Políticas públicas de convivência com o Semiárido - Atualmente, a região semiárida vivencia a pior seca dos últimos 60 anos, segundo anuncia a carta aberta em prol da manutenção das políticas de convivência com o Semiárido. Essa longa e marcante estiagem não provoca o estado de calamidade das secas anteriores por um conjunto de políticas públicas que foram direcionadas para o Semiárido nos últimos 12 anos.

Olhando para a história das famílias do Semiárido, é possível perceber a mudança em curso na vida dessas pessoas e também no âmbito das comunidades e territórios rurais. “De 2003 até hoje, as políticas públicas se tornaram muito presentes, proporcionando um ambiente de transformação social”, reflete Luciano Marçal, da organização AS-PTA com atuação na Paraíba e também integrante da ASA, depois de fazer um exercício de olhar para a linha do tempo de várias famílias do agreste pernambucano como a de Elias e Josefa.

Entre as políticas em ação no Semiárido, ele destaca iniciativas de acesso a conhecimentos – uma diretriz metodológica da agricultura de base agroecológica - como os intercâmbios entre agricultores e agricultoras realizados nos programas da ASA. “Os intercâmbios impulsionam novos processos de inovações”, ressalta Luciano, um dos representantes da sociedade civil no Seminário para construção do II Planapo.

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Documento de graça para trabalhadoras nordestinas

A documentação é a porta de entrada para diversas políticas públicas, entre elas, o Sistema Único de Saúde (SUS). Para facilitar a emissão de documentos básicos, o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) promove, mais uma vez, mutirões de documentação no Nordeste brasileiro. A partir desta terça-feira (15), o ônibus Expresso Cidadã percorrerá três municípios pernambucanos e 11 paraibanos – um benefício para mais de duas mil pessoas. 
Ao todo, serão disponibilizadas as primeiras e segundas vias da certidão de nascimento, cédula de identidade, carteira de trabalho, CPF e a Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP) às trabalhadoras rurais. Durante o atendimento, as famílias poderão ser inscritas no Cadastro Único (CadÚnico) de políticas sociais do governo federal.
A diretora de Política para Mulheres Rurais e Quilombolas do MDA, Célia Watanabe, explica a diferença que o mutirão de documentação pode fazer na vida das trabalhadoras do campo. “Ter a documentação é o primeiro passo da rota de inclusão das mulheres, para que elas venham acessar as políticas públicas como o crédito, a assistência técnica, e todo conjunto de ações disponíveis para o campo”, destaca. 
Desde 2004, já foram realizados 1079 mutirões de documentação nos dois estados. Mais de 253 mil mulheres pernambucanas e paraibanas foram atendidas em 11 anos do Programa Nacional de Documentação da Trabalhadora Rural (PNDTR), com a emissão gratuita de 497.953 documentos.
 
Parcerias
Cada mutirão é realizado com o apoio de vários parceiros como as prefeituras municipais, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), as secretarias municipais de assistência social, as Empresas de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), cartórios e sindicatos de Trabalhadores Rurais. 
 
Serviço
Mutirão de documentação município de Águas Belas (PE)
Data: 15 e 16 de setembro de 2015 (terça e quarta-feira)
Horário: 8h às 16h
Local: Espaço Nordeste
 
Mutirão de documentação município de Manari (PE)
Data: 17 de setembro de 2015 (quinta-feira)
Horário: 8h às 16h
Local: Escola Municipal Alzira de Oliveira Jorge
 
Mutirão de documentação município de Tupanatinga (PE)
Data: 18 de setembro de 2015 (sexta-feira)
Horário: 8h às 16h
Local: Quadra Poliesportiva José Miguel de Freitas
Mutirão de documentação município de Coremas (PB)
Data: 15 de setembro de 2015 (terça-feira)
Horário: 8h às 16h
Local: Escola Municipal Menino Jesus
 
Mutirão de documentação município de Olho D’Água (PB)
Data: 16 de setembro de 2015 (quarta-feira)
Horário: 8h às 16h
Local: Escola Estadual Cônego Manoel Otaviano
 
Mutirão de documentação município de Emas (PB)
Data: 18 de setembro de 2015 (sexta-feira)
Horário: 8h às 16h
Local: Centro Administrativo
 
Mutirão de documentação município de Conceição (PB)
Data: 18 de setembro de 2015 (sexta-feira)
Horário: 8h às 16h
 
Mutirão de documentação Serra Grande (PB)
Data: 19 de setembro de 2015 (sábado)
Horário: 8h às 16h
Local: Escola Estadual Josefa Justino Soares
 
Mutirão de documentação município de São José de Caiana (PB)
Data: 20 de setembro de 2015 (domingo)
Horário: 8h às 16h
Local: Prefeitura municipal
 
Mutirão de documentação Santa Inês (PB)
Data: 21 de setembro de 2015 (segunda-feira)
Horário: 8h às 16h
Local: Ginásio Poliesportivo
 
Mutirão de documentação Santana de Mangueira (PB)
Data: 22 de setembro de 2015 (terça-feira)
Horário: 8h às 16h
Local: Clube Fórmula Um
 
Mutirão de documentação município de Ibiara (PB)
Data: 23 de setembro de 2015 (quarta-feira)
Horário: 8h às 16h
Local: Secretaria de Ação Social
 
Mutirão de documentação município de Curral Velho (PB)
Data: 24 de setembro de 2015 (quinta-feira)
Horário: 8h às 16h
Local: Escola Estadual Zuza Lacerda
 
Mutirão de documentação município de Diamante (PB)
Data: 25 e 26 de setembro de 2015 (sexta-feira e sábado)
Horário: 8h às 16h
Local: Escola Estadual Adelina de Souza Muniz
Gabriella Bontempo
Ascom/MDA
 
Foto: Paulo H. Carvalho/ MDA

Biodigestores para a melhoria da qualidade de vida de famílias agricultoras do semiárido

O biodigestor sertanejo é uma tecnologia social de simples manutenção, apresenta-se como ferramenta para manejar resíduos orgânicos convertendo o esterco em biogás (Metano) inflamável que substitui o gás de cozinha e o fogão a lenha, além de produzir biofertilizante. Dessa forma, contribui para a redução de impactos ambientais gerando uma fonte alternativa de energia.

A oferta de biogás, através dos biodigestores incidirá no fim ao uso de carvão vegetal, do gás butano e do desmatamento de árvores da Caatinga para coleta de lenha, além de fornecer os insumos para a fertilização do solo.O uso desta tecnologia possibilita o aproveitamento das fezes dos animais, mantendo o curral limpo, prevenindo a poluição e evitando a emissão do gás metano na atmosfera o que reduz o efeito estufa. Contribui também para:
 Redução do problema da matriz energética, com a redução do consumo de energia elétrica;
 Minimização da degradação do bioma Caatinga, através da diminuição do uso de carvão vegetal e lenha;
 Põe fim da liberação na atmosfera do metano produzido nas propriedades pela fermentação das fezes dos animais, evitando sua emissão na atmosfera e assim contribuindo para a preservação da camada de ozônio;
 Contribui para minimização do aquecimento global;
 Produz biofertilizante como adubo orgânico, substituindo os adubos químicos;
 Redução de problemas respiratórios provocados pela fuligem provenientes da queima da lenha e do carvão vegetal;
 Economia de renda familiar.
O projeto já está em andamento, já foram construídos 7 biodigestores distribuídos nos municípios de Forquilha, Massapê, Bela Cruz, Mucambo e Sobral. Um oitavo biodigestor já está em processo de construção.. A presente proposta visa a arrecadação de recursos para a construção de mais dois biodigestores e a melhoria da qualidade de vida de famílias agricultoras do semiárido cearense. Como divulgação do projeto, ao final será produzido um boletim informativo e um vídeo documentário.

O QUE JÁ TEMOS
O Projeto Biogás Sertão já conta com o apoio da Companhia Bento 50 da Suécia, empresa que trabalha com consultoria em engenharia de automação e energia elétrica; do Centro de Estudos e Apoio ao Trabalhador e à Trabalhadora - CEAT, ONG com sede em Sobral-CE; e o apoio de amigos da equipe de execução do projeto empenhados em colaborar.

A equipe fixa de execução do projeto é formada por Edilmara Kayt Silveira Fernandes, Socióloga (SRTE 408/CE) e por Mário Farias Júnior, Coordenador de Projetos Sociais do CEAT, além da contratação de serviços de pedreiros para a construção.

Com estes apoios conseguimos financiamento para a construção de 8 biodigestores que já estão em processo de construção. O objetivo desta campanha é a arrecadação de mais financiamento para fechar a construção de 10 biodigestores no semiárido cearense.

Dessa forma, o montante arrecadado com a presente campanha arcará com as despesas de compra de material para mais 2 biodigestores, despesas da construção, pagamento de pessoal, deslocamento e demais despesas de execução do projeto e da campanha.
Orçamento referente ao que pretendemos arrecadar com esta campanha:

Cronograma de execução do projeto:

Veja mais sobre o biodigestor sertanejo no vídeo abaixo:

Fonte:https://www.catarse.me/pt/projects/9705

Projeto da UFRN apoia sertanejos nos períodos de seca

Buscando apoiar agricultores familiares do Rio Grande do Norte, por meio da implementação de processos tecnológicos alternativos em relação à seca, tirando proveito ambiental e econômico, o professor Deusimar Freire Brasil, do Centro de Biociências (CB) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), desenvolve juntamente com outros professores, técnico-administrativos e discentes, bem como com os agricultores familiares, o projeto denominado “Ayram — ação interinstitucional potiguar de apoio aos agricultores familiares do RN a partir de uma relação alternativa com a seca”.
“Queremos que o agricultor familiar estabeleça uma reação produtiva com a seca, revelando que esta não é apenas aquela situação mostrada na TV, do solo rachado, de animais mortos e pessoas chorando com fome. Na perspectiva do Projeto Ayram, pode ser possível mostrar uma situação melhor no Nordeste”, afirma o coordenador deste projeto.
A proposta tem como foco central desenvolver alternativas à situação de seca que acomete o Nordeste do Brasil, onde se tem uma situação de pouca água, que em alguns períodos pode se apresentar barrenta e salgada, em barragens e açudes quase ou completamente secos, como o reservatório Armando Ribeiro Gonçalves, o maior do Rio Grande do Norte. Devido à estiagem o reservatório Armando Ribeiro, em Assu, chegou a ficar com 49,16% da sua capacidade total e o reservatório de Cruzeta, também no RN, em estado ainda mais crítico, com apenas 16% da capacidade.
Diante da situação, a segurança alimentar e nutricional dos agricultores e suas famílias ficou afetada. A falta de água e capim forçou os criadores a soltarem seus animais para que procurassem sozinhos esses recursos. A situação de seca fez subir o preço dos alimentos no Nordeste e no Brasil, como no estado da Bahia, onde o preço do feijão aumentou cinco vezes na cidade de Conquista. Em Crato, no Ceará, a saca do milho chegou a subir de R$ 18 para R$ 50. O projeto Ayram (sol em Tupi-Guarani) se apresenta como uma ação interinstitucional que tem o objetivo de apoiar os agricultores familiares do Rio Grande do Norte afetados por um longo período de seca.
A proposta do projeto de extensão é apoiar os agricultores familiares por meio da implantação de processos produtivos mesmo em condições de seca. Para tanto, é preciso mudar o paradigma da produção rural, o que significa cultivar plantas e criar animais que sejam resistentes ou tolerantes a essa condição climática. A iniciativa é desenvolvida com agricultores assentados da reforma agrária por meio de atividades de capacitação e implantação de processos produtivos adaptados à condição de estiagem ou seca.
Ao longo desse tempo, existe um trabalho contínuo que foi articulado por um conjunto de parcerias entre a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), Banco do Brasil, Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária e Pesca (SAPE), Prefeituras dos municípios envolvidos, Arco Mato-Grande e demais associações comunitárias dos assentamentos e comunidades rurais.
A importância do projeto, segundo o coordenador, ocorre a partir de um contexto de análise dos aspectos regionais. “Por estarmos numa região denominada Polígono das Secas, que apesar de tudo tem chuvas, o projeto visa a mostrar como trabalhar com a água disponível na região”, ressalta. A proposta é criar uma cultura entre os agricultores familiares de se prepararem para as condições do semiárido, o que significa basicamente armazenar água e produzir alimentos para consumo durante a época de estiagem. Nesse contexto, é fundamental a realização de plantios de plantas e criações de animais que chegam a produzir, mesmo em condições de estresse hídrico.
Na mentalidade do pequeno agricultor nordestino, existe a preocupação com a ideia de combater a seca, mas, tirando como exemplo a situação da Europa, que vive uma parte do ano com a neve, “a seca aqui é uma questão natural a que devemos nos adaptar e buscar alternativas que nos possibilitem usar o que temos, como o sol em abundância, e podemos usar a água, basta apenas armazenar”, relata o professor Deusimar.
O coordenador do projeto destaca que o sol no Nordeste, um dito mal a todos, faz com que a região tenha uma alta taxa fotossintética o ano inteiro, que possibilita frutas mais doces na região, colocando-as entre as melhores do mundo. Além desse fator, essa redução de umidade, no caso da fruticultura, reduz o ataque de pragas e doenças.
O projeto Ayram tem o objetivo de mostrar às pessoas que a situação não é tão ruim, pelo contrário, por ter sol o ano inteiro, ter água, pode-se armazenar. “Para obter resultados favoráveis à seca é preciso que essa ação seja trabalhada junto com os agricultores,por meio da organização social que esse processo proporciona”, frisa Deusimar.
O projeto é fruto de uma experiência construída com esses agricultores desde o ano de 2004, com apoio das pró-reitorias de Extensão e Administração e envolvendo professores e estudantes do CB (Departamento de Oceanografia), CCHLA (Departamento de Geografia), CCSA (Departamento de Serviço Social) e da Escola Agrícola de Jundiaí.
Fonte:http://portaln10.com.br/

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